sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pé de manga

Pé de manga


Avistou um pé de manga da varanda do telhado.
Só ele e os seus demônios outra vez...
Troncos fortes, lindos frutos e a velha projeção,
Péssimo hábito de pela arte lamber a própria ferida:

Jogou fora o mapa do tesouro
Esqueceu o nome da avenida
Pra quem sabe um dia se encontrar...

É que o plim plim na conta não compra o seu sorriso,
Tanta coisa que é de graça lembra mais o paraíso.
Elogios no trabalho não cessam sua angústia, irmão!
Nenhum reconhecimento vale a cegueira da visão.

O mundo ainda chora e a gente se esconde nos próprios defeitos.
É tão fácil acomodar a vaidade, basta prometer prosperidade!
E há quem se contente em sonhar com propriedades...

De que vale essa estúpida ilusão de grandeza
E não saber pedir licença a natureza?
De que valem as raízes
Quando sobrenomes deixam cicatrizes
Pessoas infelizes
E Cash é sempre o dilema das nossas diretrizes?

Cruza um velho trauma...
Uma idéia se esboça da janela.
Ainda pega o buzu lotado,
Por medo ou opção?

Veja o lado bom da coisa,
Quando se apresenta a lição:
Na solidão do carro,
Não haveria aperto de mão.

Nenhum comentário: