sexta-feira, 25 de maio de 2012

Notícias do lado de cá

Autor: Pietro Pascoli

Um imenso sem vontade pra sair da cama,
Chove aqui dentro e um pouco menos lá fora
Três reais na carteira, nenhuma aptidão pra fama
Greve dos rodoviários há quem ache bom
Esconder-se em mentiras sem sair do tom

Tentando domar meu desespero
Surge minha melhor amiga e um convite pra um projeto de leituras
Nelson Rodrigues, que conveniente! Ilustre figura
Muito obrigado, mas hoje eu quero mesmo é cuspir na estrutura!
Nada vale o culto pra quem não está em harmonia

As flores já não seduzem, quando vejo ao espelho minha alma torta
Preço até baixo pra quem escolheu pensar
Intensidade me sobra até na escuridão

O espírito livre clamando por vinho e confissão em uma calçada de interior
Perder-se na cidade, escutar o gari confabular contra a sociedade, por favor!

A pupila descoberta e dilatada, recebendo de braços abertos a chuva.
Soa bem a cena, um brinde ao findar do homem em um copo de cachaça.
Longe de qualquer fumaça, o som de um desafinado violão.

Cantar os abismos dos poetas
O ridículo dos palhaços
O cio que mais uma vez vem vencer o cansaço
Ou ejacular o tédio em algum vício vagabundo
Só pra me sentir mais limpo que qualquer poderoso vampiro imundo.

É, parceiro.
Tal qual vira lata.
Mas não perco a poesia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O silêncio onde nasce a canção

Autor: Pietro Pascoli

Início de noite, o barulho da chuva procurando luz.
Qualquer brilho. Um estrondo.
São relâmpagos! Não sabemos nada.
O que vislumbramos?
Erguer-se, direção.
Uma casinha sem paredes,
A velha amiga solidão.

A mente,
Mente. Desnudo.
Inundação!
Uma experiência mística.
Saber amar.
O sabor de café com leite e pão.
A vontade de chorar.
A grandeza de um grão.

Varrer recordações.
Acostumar-se a esperar,
Outra metade.
O vazio que faz falta ao coração.
A estrada bloqueava a passagem.
Perder a hora. Ainda não.
O silêncio onde nasce a canção.

sábado, 19 de maio de 2012

O inocente em fuga

Autor: Pietro Pascoli

Um inocente em fuga
Perdido na cidade
Não mais importante
Que qualquer outra pessoa
Seu olhar denunciava
Uma escolha diferente
Aos caminhos estranhos
Formigueiros de gente

Janela sempre aberta
Pra receber a sorte
Pupila descoberta
E a vontade de saber

Pra onde foi o seu controle da vida
Na linha tênue entre a loucura do mundo
E o outro mundo que dentro do peito
Transbordava de inquietações e desejos!

Você olha para mim
Quer saber!
O que espero dessa vida insana?
Fica olhando para mim
Quer saber!
Pouco importa o que se perde ou ganha

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Devaneio estranho

Autor: Pietro Pascoli

Começou mais um dia
O que chamam realidade
A versão da história que convém
Há quem?

Já me disseram:
Deixe de sonhar
É hora de acordar
Ponha os pés no chão

Uma viagem sem rumo
A nenhum lugar
Que escutei com atenção
Mas os rios mudam o curso
Sem perder a direção

Pra viver em sociedade
É preciso se adaptar
O suor de cada dia
A ilusão de um diploma
Status de vaidade
Ser notícia da semana
Grana! Grana!

Essa convenção não me convence!
Só pra contrariar
Ofereço
Passos de equilibrista
Um imenso sem vontade

Não me acompanhe
Não me dê opção
Não quero sua direção

Lembra meu amigo
Como se fosse amanhã
Newton debaixo da árvore
O baixinho Romário sempre perto do gol
Lispector e seus abismos, suas dores.
Frida Kahlo, seus temores, suas cores!

Devaneio estranho
Um futuro que já deixa saudades
Pela corda bamba de estrelas
E vaidades

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Querer infinito

Autor: Pietro Pascoli

Esse querer infinito
Que trago escondido
Vagando ao luar
É silêncio que grito e que sinto
Protegendo o amor
Que me sobra pra dar
Temendo a força do tempo
Que me falta
Pra durar

sábado, 5 de maio de 2012

Plebeus são reis!

Autor: Pietro Pascoli

Eis que surge um novo dia
Da mais franca rebeldia
Em que plebeus são reis
Plebeus são reis!

E não há fotografia
Ou registro quem diria
Da bravura de vocês

Gente baiana, trabalhadora!
Faz da preguiça lavoura
Da arte discaração
Colé mermão!

E se dá por satisfeita
De amar sua colheita
E viver sem um tostão

Eis que surge um novo dia
Da mais franca rebeldia
Em que plebeus são reis
Plebeus são reis!

E na televisão canta feliz
Um mendigo sem nenhum vintém
Que a majestade é um tormento
E rico é o cara
Que com pouco vive bem

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O suicida!

Autor: Pietro Pascoli

A vontade voraz de morrer por um dia
Devorar os pedaços e cuspir, cuspir na fotografia
Pode parecer sombrio ou ser apenas um passo
Pra si mesmo
Por si mesmo

Veja quanta mentira pra acreditar
Sinta! Sinta quanta coisa tem no ar
21 de dezembro
A população crescendo
A comida por acabar

Menino! Você pensa! Deve tá doidão.
E os vícios de pensamentos?
A dominação da palavra
As grades de uma procissão
Correntes imorais, da moral

Enquanto isso no paraíso da fantasia
Alguém aposta a própria vida
A beira de um precipício
Acreditando que a realidade pode melhorar

O maior dos otimistas.
O suicida!