segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Supremacia dos olhos

Supremacia dos olhos


Vejo a violenta supremacia dos olhos ditar verdades. Que vejo?
Cores, formas, matizes, contrastes... O crivo último das decisões: o visto – as ciências e a reprodução dos saberes.
Quem dera suplantar a imagem, para abranger conteúdos que nela não vejo, transfigurar a superficialidade: Calores, sabores, cheiros, emoções e relações que se fundam e naufragam pela tempestuosa ruptura com o olhar.
Será o amor mesmo cego?
Ou apenas mais uma verdade ditada por quem vive a cegueira?
A ciência subversiva amplia seus domínios pelo desequilíbrio com a ditadura dos olhos, instituindo passos de malabaristas na corda bamba das vaidades.
A contramão que o olhar não alcança, retrocede a disposição estéril da linguagem desvelada de sentidos.
Os toques, as idiossincrasias e a poesia o sabem. Fluxo que se complementa na perda de sentido.
O cheiro que atravessa a alma dita à tara que nos pulsa onde o ego não cursa e os olhos não veem. Eis o horizonte, que arremessa perdidamente as sutilezas das esquinas, corredores e lembranças, o entrelaço entre o remoto e o desejo, o precipício e a saúde.
Na busca da completude...

Pietro Pascoli e Gabriel Dantas

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