segunda-feira, 25 de março de 2013

Não coisa

Que coisa é essa que vive dentro da gente?
É silêncio, é grito. É partida, é chegada.
Semente e estrada.
Não podemos ver ou tocar,
Nem mesmo ignorar,
Por que subverte as horas,
Faz da noite sem fim,
Um instante de glória.

Que coisa é essa?
Que persiste, mesmo quando não há nada.
Que sabe mais de nós mesmos que um melhor amigo,
E faz do próprio umbigo um lamento,
Da riqueza tormento,
Da loucura libertação?

Que coisa é essa?
Que tem mais estrelas que o firmamento,
Lampejos de eternidade,
Despreza a razão, a idade,
E sorri pra moral?

Que coisa é essa?
Que torna o amargo tão doce,
A incompletude paixão,
Poesia salvação,
O amor gratidão?

Tem mais frutos que o mais farto pé,
E mais Deus,
Que um luminoso ato de fé.
Que coisa,
Não coisa se é?

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