Religare final
Ao atrair pra si o que não convém
E dizer sim, enfim, ao que quer sem querer, por que, então?
Será a si mesmo uma forma de traição?
Ao mentir pra si mesmo por um momento de satisfação,
Fazendo valer o instante, como mais importante,
Que o gozo suposto, de algo imposto, ao alcance vão,
Do certo e do errado, moral imoral, do bem e do mal,
Haverá traição afinal?
E agora sendo mais simples:
Você que mentiu, pros pais e sorriu,
Mas fez o que queria, alegando que ninguém entendia seu ponto de vista,
Herdado de outros artistas, importantes ou não,
Quem tinha razão?
No doce tormento... Sentiu-se vil?
Somos apenas pessoas, controladas demais.
Por aqui, por ali, é assim, que se faz!
Quando éramos apenas animais,
Talvez houvesse mais paz.
No instinto aflorado,
Somos todos iguais.
Mas inventaram a linguagem, quanta bobagem!
Essa coisa que é a moral.
Daí surgiu perversão, de tanto reprimir sensação...
Bicho homem ficou confuso porque não entendia,
Todo santo dia, a mesma agonia, da contradição:
A natureza de um lado o valor do outro,
O corpo longe da alma, o desejo do correto, errante!
Por certo, pedia passagem, a qualquer miragem, de reconhecimento,
Pra que pudesse viver, só de verdade, em que pese à magia,
Da ancestralidade,
No religare final.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário