Habitat
Ofertada a Raul Seixas
É muito difícil habitar este abismo...
Mas ao colocar os pés descalços nessa estrada,
É como se dela tivesse vindo,
E nela sempre fosse caminhar.
Suportar com alegria o precipício.
Por que, então? Essa imensa vontade,
De transmutar realidade, romper mentalidade,
E depois voltar ao chão?
Já que os Deuses não se pensam,
Próximos a eles me parecem muito mais,
As plantas e os animais.
Mas quando acordo em pleno dia,
Onde ecoa a poesia,
Canto alto essa agonia, só por provocar:
Viva a incompletude!
E a falta de juízo!
De que vale o paraíso,
Sem morder a maçã?
Caetanei a intolerância,
Quando vi nos olhos da criança uma estrela,
Com a mesma alegria,
Da mariposa e do leão!
...
A loucura real.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
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