quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Deprimido

Estar deprimido, que grande presente!
Assim, distante, calado, tomando vinho no que restou de um pequeno copo de pinga, limão e mel, paquerando uma antiga máquina de escrever ao som de uma vitrola vermelha.

As pessoas em volta notam, estranham e contribuem.
E então você escuta, sem a fortaleza das convicções, os ensinos, como quem oferta a chuva os conflitos da alma.
Alguém recita com elegância uma poesia sobre a dor, tornando o abismo mais bonito.
Uma teoria nova te procura, explicando a sutil diferença entre o amor e a ilusão. Você não compreende a totalidade, mas já que veio de um amigo Duende, vale tanto quanto um belo poema escrito a lápis em algum estribilho antigo.

E o feio vai se tornando belo.
Nuvens, medos, árvores tortas e estranhas, tempestades,
Tudo parte de uma grande novidade,
Que proporciona um novo olhar...
Aí o coração amanhece cheio de saudade e tristeza,
E você se deixa levar por ele.
O que pode ser mais importante que o amor?

Se não há sentido pra vida,
Que pelo menos eu possa vive-la assim,
Perto de quem desperta,
O melhor de mim.

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