terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Respostas intuitivas

Já não quero cantar os labirintos por que passei...
As noites frias, os lampejos insaciáveis, as queixas inaceitáveis,
O vazio que sentia porque não compreendia o dizer dos ventos,
A mansidão da espera florescer aurora em uma nova colheita.

E nem quero falar daquilo que pouco sei.
No fundo a conclusão é óbvia: não sabemos mesmo nada.
Também não quero me ver ansioso, ardente por ideais perfeitos.
Amadureci pra não precisar dissimular na minha escrita
E poder ser verdadeiro.

Estou entregue...
Não prometo nada. Não tenho nenhuma certeza.
Transformei em liberdade o meu orgulho, a minha fortaleza.
Hoje, sou completamente frágil.
Como quem sabe que é apenas um grão no universo.
Infinito e capaz de suportar qualquer coisa.

Descobri que sou Deus. Como tudo que existe.
Mas que para chegar onde desejo, não posso ir sozinho.
Preciso dos meus irmãos. De cada um deles.
Com tudo que eles tem de imperfeito e claridão.
Aprendi que não se pode controlar nada
E que a lei do retorno é bastante generosa.
Já que o universo tem que me responder a questão,
Porque perguntar quem sou?

As respostas são intuitivas.
Simplesmente sabemos, sentimos, no oceano da infância.
O segredo é não travar a batalha inútil contra a matéria.
Dissolver a vaidade com humildade.
Cagar, vomitar, mijar, chorar... Morrer.

Que amanhã é outro dia.
E a alma deseja...

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