segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Ribeirinhos

É o tempo de sentir
O grito que calava
No escuro a sua voz
Outra vez a sós

A janela aberta, a dor
Amargava o pensamento
Desfocando a razão
Os limites, o tormento

Se só aquilo que somos realmente
Tem o poder de nos curar
No instante só que estamos
Do silêncio há de surgir
Um novo olhar

Reviver, silenciar,
A mente esvaziar
Como se fora abduzido
Construir um novo olhar
O que pode ser mais importante,
Que a nossa família, que o nosso instante?

Alguém pra dar o meu carinho
O meu amor, minha vontade de amar
Falar de amor aqui, em Gurupá
As vezes somos conduzidos por certezas,
E tomamos um caminhos
Com dinheiro na conta
De repente a gente se vê,
Perdido sem nenhuma direção
Passa a procurar alguém pra amar, pra entregar o coração

O que afinal é imoral,
Desafinar a convenção,
Reprimir nosso animal?

Só pra ver o que vai pintar
Vou bordar as ruas
Cantar uns versos pra suportar
A vida nua e crua

Amanhã,
Talvez eu faça um filho,
Perca o emprego, plante sementes,
Acabe em uma internação
Achar um sentido, escapar dessa prisão
Nenhuma aceleração é maior que a nossa pressa de ter calma

Menino você não pode ir com seu pai pro açaizal
Você é só um ribeirinho
O seu pai trabalha 14 horas por dia e ninguém lembra nem dele, nem de você.

Vai no banheiro a céu aberto
Poluíram sua natação
Mas você tem sensibilidade e sabedoria que os homens do senado não tem
Da prefeitura não tem
Os vereadores não tem

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